Roberto Reis na Crusoé: O medo já mora no Planalto
Assustar alguém e conquistar seu voto são coisas diferentes
O problema atual da campanha do medo promovida pelo PT é que o eleitor passa a desconfiar mais de quem conta a história do que da assombração que ela apresenta.
A campanha do medo de Lula pode funcionar? Sim.
A ameaça de perder renda, emprego, garantias sociais ou benefícios tem força, até mesmo entre famílias das classes C e D que vivem sem margem para um imprevisto.
Quem depende do dinheiro de amanhã não trata como abstração a hipótese de ficar sem ele. A campanha do medo é perversa e ainda funciona.
Mas assustar alguém e conquistar seu voto são coisas diferentes.
O PT conhece bem esse caminho. Em 2014, Marina Silva viu sua proposta de autonomia do Banco Central virar uma propaganda em que a comida desaparecia do prato de uma família.
A discussão econômica sadia foi transformada maldosamente em ameaça à sobrevivência das pessoas mais pobres.
Contra Aécio Neves, a propaganda petista também insinuava que o Bolsa Família iria acabar.
O ambiente de comunicação em 2026, porém, mudou.
A Pesquisa Brasileira de Mídia 2015, realizada em novembro de 2014, registrou que 95% dos entrevistados assistiam à televisão e 48% usavam internet.
A TV ocupava uma posição central na conversa nacional. Em 2025, segundo o IBGE, a internet já alcançava 90,5% das pessoas com dez anos ou mais.
Os levantamentos têm públicos e métodos distintos, mas ajudam a dimensionar o quanto o jogo definitivamente virou.
O eleitor que recebia a mensagem…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Sergio Meirelles Filho
17.10.2026 10:17Muito bom Roberto Reis , você tem acertado tudo .