Sem citar Fachin, Dino questiona “promessa” de fim de inquérito
Declaração foi feita dois dias após o presidente do STF sinalizar o fim do inquérito das fake news, relatado por Moraes
O ministro Flávio Dino (foto), do Supremo Tribunal Federal (STF), questionou neste domingo, 6, a possibilidade de um magistrado “prometer” o fim de um inquérito. A publicação foi feita dois dias depois de o presidente da Corte, Edson Fachin, sinalizar o fim do inquérito das fake news, relatado por Alexandre de Moraes.
Sem citar Fachin ou o inquérito de 2019 nominalmente, Dino afirmou ser favorável à conclusão das investigações, mas defendeu que isso ocorra de acordo com critérios legais.
“É possível a um julgador, qualquer que seja ele, ‘prometer’ o final de um inquérito, como se fosse um candidato ou para receber aplausos?”, escreveu em publicação no Instagram.
Dino também questionou se o tempo de tramitação, por si só, seria motivo para arquivar uma investigação.
“De todo modo, temos aí um interessante debate doutrinário: antes do prazo prescricional, um inquérito deve ser arquivado por motivo de tramitação longa? E quem decide o que é ‘tramitação longa’? Opiniões pessoais? Ou critérios legais e regimentais?”, questionou.
Na publicação, o ministro criticou ainda as contestações às decisões individuais dos ministros e à competência criminal do STF.
Sobre os julgamentos monocráticos, disse que são necessários para evitar o aumento da morosidade. Em relação à jurisdição penal, afirmou: “Se tira de lá, tem que colocar em algum lugar”.
Dino também afirmou que o debate atual sobre o Judiciário mistura questões distintas.
“Problemas reais e graves estão sendo misturados com interesses eleitorais e econômicos, objetivos estrangeiros e até ódios pessoais”, escreveu.
Leia também: “Cedam as armas à toga”, diz Dino sobre crise no STF
Fachin sinaliza fim do inquérito
Como mostramos, Fachin defendeu na sexta-feira, 4, o encerramento do inquérito das fake news, aberto em 2019 e relatado por Alexandre de Moraes. O inquérito foi instalado, em princípio, para apura ataques, ameaças e notícias fraudulentas contra o STF, seus ministros e familiares.
A manifestação do presidente da Corte foi feita após a divulgação de informações relacionadas a Moraes, ao empresário Daniel Vorcaro e ao Banco Master, além do embate entre o ministro e André Mendonça.
Mendonça determinou a retirada do sigilo do material no âmbito das investigações sobre o banco.
Moraes depois pediu a investigação de Mendonça dentro do próprio inquérito das fake news. Fachin retirou o pedido do procedimento e determinou que a Procuradoria-Geral da República e Mendonça se manifestassem sobre o caso.
Fachin colocou o fim do inquérito, a criação de um Código de Ética e a modernização do sistema de Justiça entre as prioridades de sua gestão.
Ao defender uma resposta à crise, afirmou:
“A gravidade dos fatos não autoriza atalhos. Ao contrário, quanto maior o desafio, maior deve ser o compromisso com a legalidade, o devido processo legal e as garantias constitucionais. Não haverá precipitação, tampouco omissão. A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa.”
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Comentários (4)
Marian
06.09.2026 21:36Critérios legais num inquérito aberto há 7 longos anos ?
Ademir Fenicio
06.09.2026 17:12Jorge, os sábios tupiniquins têm como conselheiro master o jão di deus, tanto que a única pessoainha que declinam de julgar é o divino jão.
Jorge Irineu Hosang
06.09.2026 15:46Esse Sancho-Panza fala as coisas e pensa que todo mundo acredita nas "poesias" criadas por ele. Não serve nem pra fazer linguiça. Eu fico pensando, será que os Ministros andam se fartando com algum chá alucinógeno? Estão se sentindo divindades.
jorcovix
06.09.2026 14:56E o Fraquin? Cadê o presidente do STF? Não vai fazer nada de prático para estancar esta crise? Quero dizer, abrir uma investigação contra Moraes no Supremo é claro