Sem Lula, líderes da UE e do Mercosul assinam acordo após 25 anos
Cerimônia em Assunção reuniu líderes do Mercosul e autoridades europeias; presidente brasileiro foi o único chefe de Estado do bloco ausente
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia foi assinado neste sábado, 17, em Assunção, no Paraguai, após mais de 25 anos de negociações.
O tratado cria a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 22 trilhões.
O texto prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas em mais de 90% do comércio entre os dois blocos, além de regras comuns para setores como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
Apesar da assinatura, o acordo ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais, sobretudo na União Europeia, onde o processo é considerado politicamente sensível e pode se estender por até 15 anos.
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Ausência de Lula
A cerimônia ocorreu na capital paraguaia e reuniu líderes do Mercosul e autoridades europeias.
O presidente Lula (PT) foi o único chefe de Estado do bloco sul-americano que não compareceu, sendo representado pelo chanceler Mauro Vieira.
Participaram do ato a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, além dos presidentes da Argentina, Javier Milei, do Uruguai, Yamandú Orsi, do Paraguai, Santiago Peña, e da Bolívia, Rodrigo Paz.
Anfitrião do evento, o presidente paraguaio classificou a assinatura como histórica.
“Estamos presenciando um dia histórico”, afirmou, ao destacar o peso simbólico do Paraguai para a integração regional.
Ele também agradeceu a Lula, “que nos acompanha pela televisão”, pelo empenho nas negociações.
Dimensão econômica e geopolítica
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil responde por mais de 82% das importações europeias oriundas do Mercosul e por cerca de 79% das exportações do bloco sul-americano destinadas à UE, o que reforça o peso brasileiro no acordo.
A presidente da Comissão Europeia afirmou que o tratado vai além da dimensão comercial.
“Estamos criando a maior área de livre comércio do mundo, um mercado de 700 milhões de pessoas e um PIB de quase 20% do mundo”, disse.
Segundo ela, trata-se de uma “escolha clara” por “comércio justo em vez de tarifas”.
Von der Leyen também destacou a importância geopolítica do acordo e afirmou que ele cria uma plataforma para cooperação em temas globais, como meio ambiente, competitividade e reformas institucionais.
Representando o Brasil, Mauro Vieira afirmou que o acordo “estabelece, de fato, uma parceria” e que ele lança bases para uma relação orientada ao desenvolvimento sustentável.
“Em um cenário internacional marcado por incertezas e tensões, esse acordo envia uma mensagem clara e positiva para o mundo”, disse.
Em nota oficial, o governo brasileiro comemorou a assinatura e classificou o tratado como um “marco histórico para as relações entre os dois blocos”.
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Comentários (1)
Marian
17.01.2026 15:08Essa é a foto oficial.