Servidora apontada pelo STF como suspeita passa 4h em presídio masculino
Ruth Machado, investigada por suposto acesso a informações fiscais de Viviane Barci de Moraes, esperou pela troca da tornozeleira eletrônica
A servidora da Receita Federal, Ruth Machado dos Santos, suspeita de acessar de forma irregular as informações fiscais de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF, Alexandre de Moraes, ficou detida por cerca de quatro horas em um presídio masculino no litoral paulista na terça-feira, 17.
Após o depoimento de aproximadamente 40 minutos, Ruth foi encaminhada ao Centro de Progressão Provisória (CPP) de São Vicente – unidade do regime semiaberto destinada a detentos do sexo masculino –, onde deveria receber o equipamento de monitoramento eletrônico. O primeiro dispositivo entregue pelos agentes estava com apenas 4% de carga, o que a defesa considerou insuficiente para o percurso de 44 quilômetros até o Guarujá, cidade onde a servidora reside.
Situação “degradante”
Ruth e seu advogado permaneceram no interior da unidade prisional por quase quatro horas, até que a Polícia Federal providenciasse um segundo equipamento em condições de uso. A defesa classificou a situação como “degradante” e “constrangedora”. O Estadão pediu manifestação tanto da Polícia Federal quanto da Secretaria de Administração Penitenciária de São Paulo sobre o protocolo adotado, mas não houve retorno até a publicação.
Por determinação do próprio ministro Alexandre de Moraes – cujos dados familiares estão no centro da investigação – Ruth está proibida de deixar o Guarujá, deve cumprir recolhimento domiciliar no período noturno e aos fins de semana, e não pode sair do país nem acessar as dependências da Receita Federal.
Acusação, negativa e investigação em curso
Segundo investigadores, o acesso indevido aos dados de Viviane Barci teria ocorrido em 21 de agosto de 2025, nas instalações da agência da Receita no Guarujá. Em depoimento, Ruth afirmou que, na data em questão, realizava um atendimento em outro setor da unidade. Ela disse desconhecer se suas credenciais funcionais podem ter sido utilizadas por outro servidor, mas negou ter compartilhado senhas ou tokens institucionais com terceiros.
A defesa divulgou nota afirmando que Ruth “não possui qualquer vínculo político-partidário” e que “não concorreu para a infração penal”. Dois celulares apreendidos durante busca e apreensão realizada na mesma terça-feira, 17, estão sendo analisados pela PF.
O caso de Ruth integra uma investigação mais abrangente. Outros três servidores públicos foram alvo de operações da Polícia Federal sob suspeita de acessar dados de ministros do STF e de seus familiares: Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento e Ricardo Mansano de Moraes.
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Comentários (3)
Emerson
20.02.2026 21:53Isso só pode ser medo , não tem outra explicação.
Denise Pereira da Silva
20.02.2026 20:34As informações devem ser mesmo de arrasar para que as atitudes do ministro sejam tão baixas e despudoradas. Deve estar desesperado para conseguir uma brecha que permita a anulação das provas já constatadas.
Rosa
20.02.2026 19:55Nossa, que perseguição! Coitados!