Servidora atuava com aval de Motta em esquema de Cunha, diz PF
Investigação aponta que Eduardo Cunha influenciava destinação de recursos públicos mesmo sem exercer mandato
A Polícia Federal afirmou, na representação enviada ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que há indícios de que a servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, atuava com o aval da presidência da Casa para operacionalizar emendas parlamentares indicadas pelo ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG).
Segundo a investigação, todas as emendas sob suspeita foram empenhadas no fim de 2025, período em que Hugo Motta (Republicanos-PB) já presidia a Câmara.
No documento reproduzido por Flávio Dino, os investigadores afirmam que Tuca atuava sob ordens da presidência da Câmara.
“Tudo indica que Tuca contava com pleno aval da presidência da Casa para promover os desvios de emendas em favor de Cunha, intensificando um altíssimo grau de promiscuidade na deliberação do chamado orçamento secreto”, diz a representação.
Para a Polícia Federal, as mensagens e planilhas apreendidas mostram que Cunha exercia influência semelhante ou até superior à de parlamentares em atividade, interferindo na destinação de recursos públicos sem autorização institucional.
Os investigadores afirmam que as emendas acabaram subordinadas a um esquema informal comandado por alguém que já não exercia mandato.
Dino manda bloquear R$ 6,1 milhões de Cunha
Na decisão assinada em 6 de julho e divulgada neste domingo, Dino determinou o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens de Eduardo Cunha e suspendeu a execução das emendas investigadas.
O ministro afirmou que os elementos reunidos indicam que o ex-presidente da Câmara atuava no redirecionamento de verbas, sobretudo para municípios de Minas Gerais, estado pelo qual pretende disputar uma vaga na Câmara.
Segundo a PF, Cunha coordenava a destinação de ao menos 29 emendas da Comissão de Saúde, totalizando R$ 6,15 milhões, com o auxílio de Mariângela Fialek, apontada como responsável por viabilizar tecnicamente as alterações nos sistemas da Câmara.
Motta vê “indevida intervenção” de Dino
No sábado, Hugo Motta havia criticado a investigação que também atingiu o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e afirmou que a Polícia Federal estaria tentando criminalizar a atividade política.
Em nota, o presidente da Câmara afirmou que a decisão judicial “não identifica desvio, abuso ou aplicação irregular de verbas públicas” e acrescentou:
“Limita-se a inferições e a tentar criminalizar a atividade política. Torna-se inaceitável, tendo em vista que a alocação das emendas está em plena conformidade com a moldura normativa vigente e com os compromissos institucionais firmados entre o Executivo e o Legislativo perante a própria Corte Constitucional.”
Defesas contestam investigação
A defesa de Eduardo Cunha afirmou que tomou conhecimento da decisão pela imprensa e disse que o ex-deputado não foi intimado antes do bloqueio de bens.
Também disse que ele não apresentou nem formalizou as emendas investigadas e rejeitou “a tentativa de equiparar automaticamente a legítima interlocução política ao exercício clandestino de mandato parlamentar”.
Já a defesa de Mariângela Fialek afirmou que sua atuação sempre foi “estritamente técnica, apartidária e impessoal” e que não lhe é atribuída “a prática de nenhuma irregularidade funcional ou criminal”.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Rosa
12.07.2026 16:33Todo dia sujeira nova.....Que país....