Sicário enviou a Vorcaro apurações sigilosas após alerta do Banco Central
Documentos do MPF teriam sido repassados dias após comunicação do BC sobre indícios de crime financeiro
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e pivô das investigações sobre fraude bilionária no sistema financeiro, teve acesso a procedimentos sigilosos do Ministério Público Federal (MPF) poucos dias após um alerta formal do Banco Central (BC) sobre indícios de crime. A informação foi revelada por O Globo.
Segundo a apuração, o BC comunicou o MPF em 15 de julho do ano passado sobre a identificação de possíveis irregularidades envolvendo a cessão de créditos inexistentes ao Banco de Brasília, operação atribuída ao Banco Master. Nove dias depois, três procedimentos sigilosos foram enviados ao celular de Vorcaro.
O material foi encaminhado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado pela Polícia Federal como operador do grupo. Entre os documentos estava justamente a investigação que analisava a operação entre o Master e o BRB. As investigações indicam que o sistema do MPF foi acessado de forma indevida em 23 de julho, um dia antes do envio dos arquivos. De acordo o jornal, havia buscas direcionadas por termos como “Banco Master”, “Vorcaro” e “Nelson Tanure”, este último apontado pela Polícia Federal como sócio oculto do banco.
Para a PF, Sicário atuava na obtenção de informações sigilosas e no monitoramento de pessoas consideradas adversárias do grupo, além de agir para conter situações sensíveis, como a remoção de conteúdos em redes sociais.
A sequência de alertas do Banco Central ao MPF foi tornada pública pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Além da comunicação de julho, houve novos avisos em 17 e 25 de novembro de 2025, já após a primeira prisão de Vorcaro e a liquidação do banco. Em um dos relatórios, o BC aponta indícios de desvio de recursos, gestão fraudulenta e uso de uma cadeia de fundos de investimento para dar aparência de legalidade a operações que, na prática, manteriam o mesmo beneficiário final.
Acesso privilegiado
Um arquivo de Word também foi encontrado no celular do empresário Daniel Vorcaro. A informação foi revelada partir de documentos compartilhados com a CPI do INSS. Entre mais de 12 mil arquivos extraídos do aparelho, um documento chamou a atenção. A minuta intitulada “TCU_mora_excessiva” não tem assinatura nem identificação de autoria. O conteúdo previa que o Tribunal de Contas da União determinasse ao Banco Central a suspensão de toda e qualquer decisão relacionada ao Banco Master, além de fixar prazo para ouvir técnicos da autoridade monetária.
Os metadados indicam que duas versões do arquivo foram criadas no mesmo dia, em 29 de agosto de 2025, em horários distintos. O registro coincide com a fase final da análise do Banco Central sobre a operação entre o Master e o BRB. Dias depois, a autoridade monetária vetou o negócio. O teor do documento guarda semelhança com iniciativas adotadas pelo governo do Distrito Federal após a decisão do Banco Central. O DF acionou o TCU com pedido para suspender os efeitos do veto. A redação apresentada no requerimento repete trechos e estrutura próximos ao conteúdo da minuta encontrada no celular de Vorcaro.
Auditoria do próprio TCU criticou esse tipo de movimentação. Em parecer técnico, auditores apontaram tentativa de uso da corte de contas como instância para reverter decisão técnica do Banco Central. O documento destaca possível afastamento dos princípios constitucionais da administração pública.
Leia mais: Minuta ligada ao TCU foi salva por Vorcaro no celular
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (2)
Annie
26.03.2026 09:18Esse Vorcaro fez tanta coisa errada e prejudicou tanta gente que prisão perpétua é pouco pra ele. Não se pode admitir uma coisa dessas. O Lobo de Wall Street é fichinha perto dele
Onde está “sicário”? Ou, quem matou Odete Roitmann?