Tarcísio quer aproveitar pressão de Trump sobre PCC e CV
Governador afirma que mudança deixará mais fácil integração de inteligência e obtenção de recursos para combate ao crime; Lula rejeita ideia
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), manifestou apoio à possibilidade de o governo dos Estados Unidos classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. Para ele, a eventual designação abriria canais de cooperação que hoje não existem.
A declaração foi feita na tarde desta quarta-feira, 11, durante evento no centro de controle operacional do Metrô de São Paulo.
“A gente enxerga isso como uma oportunidade. A partir do momento que um governo como o dos Estados Unidos encara o PCC como organização terrorista, e é de fato o que eles são, fica mais fácil, fica aberta a cooperação para que a gente possa integrar inteligência, para que a gente possa trazer recursos financeiros, para que a gente possa fazer um combate ainda mais efetivo”, afirmou o governador a jornalistas.
Brasília na contramão
O governo federal reage com cautela à iniciativa americana. Desde a segunda-feira, 9, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa de reuniões em busca de alternativas à proposta de Washington. A principal preocupação do Planalto é que a classificação das facções como terroristas abra margem legal para intervenções dos Estados Unidos em território brasileiro.
Em nota, a gestão Donald Trump indicou considerar PCC e CV ameaças à segurança regional, citando envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional. Segundo apuração do UOL, Washington já teria tomado a decisão de formalizar a designação.
O governo Lula propõe, como contrapartida, a criação de um mecanismo de cooperação voltado ao combate ao crime organizado. Integrantes do governo Trump avaliam que a oferta é insuficiente. Um conselheiro do presidente americano chegou a afirmar à Folha de S.Paulo que Lula age para proteger as facções, acusação rejeitada pelo Planalto.
Quem quer mexer no meu Pix?
O impasse tem também uma dimensão jurídica e outra econômica.
A definição de terrorismo adotada internacionalmente exige que os atos violentos sejam praticados contra civis com o objetivo de intimidar governos ou populações, associados a motivações políticas ou religiosas. PCC e CV, segundo o governo brasileiro, operam com foco no lucro obtido por atividades ilícitas, sem agenda ideológica declarada.
Além dos riscos geopolíticos, a classificação poderia resultar em sanções financeiras, congelamento de ativos e restrições para empresas que atuam em regiões onde os grupos têm presença. Há ainda preocupação com o interesse americano nas transações realizadas pelo Pix – ferramenta de pagamento desenvolvida pelo Banco Central que é alvo de críticas de empresas de cartão de crédito dos Estados Unidos.
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Comentários (1)
Marian
11.03.2026 19:53Boa.