Tribunal da Itália adia julgamento sobre extradição de Zambelli
Defesa quer a troca dos juízes que analisam o caso na Corte de Apelação de Roma; julgamento deve ser retomado em fevereiro
A Corte de Apelação de Roma adiou, nesta terça-feira, 20, o julgamento sobre o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli para o Brasil, onde ela foi condenada, em maio de 2025, a 10 anos de prisão por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos.
No final de audiência nesta terça, o tribunal da Itália considerou que não houve tempo suficiente para analisar as informações enviadas pelo governo do Brasil sobre a prisão em que Zambelli deverá cumprir pena se voltar ao país sul-americano. Caso seja extraditada, ela deve ir para a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a Colmeia.
A Corte de Apelação deve retomar o julgamento, agora, na primeira quinzena de fevereiro. Fábio Pagnozzi, advogado de Zambelli, comentou sobre a audiência desta terça em vídeo publicado no Instagram e disse que a defesa pediu a substituição dos juízes.
“Hoje, o nosso sócio, Pieremilio Sammarco, representou, presidiu essa audiência. Essa audiência, hoje, foi muito difícil, muito dura, onde foi pedido a troca da turma inteira, dos três magistrados que ali estavam, por parcialidade. Os magistrados já estavam com o pedido de extradição, na verdade, com a decisão já nos bolsos. Isso desde a última audiência, nós sentimos que os magistrados queriam logo extraditar a deputada Carla Zambelli”, falou o advogado.
“Então, hoje fizemos o pedido da troca da turma. Os magistrados, num primeiro momento, falaram ‘não’, durante três vezes: ‘Não, não, não’. Então, falamos que precisava, sim, ser trocada a turma, porque era, sim, parcial, com violações claras às Regras de Mandela, aos tratados penais internacionais, aos direitos humanos, à falta de documentos probatórios que a deputada Carla Zambelli pediu para invadir o sistema nacional de Justiça no Brasil”.
Ele prosseguiu: “Pedimos, então, acesso a documentos sigilosos que nem o relator Diego Garcia, na Câmara dos Deputados, conseguiu. Acesso ao tal, então, relatório 38, dentre outras páginas da Polícia Federal, que não tem na sua integralidade na Itália, onde comprovariam que a deputada Carla Zambelli cometeu ou foi mandante de tais crimes, coisa que, no próprio relatório do agente federal, diz que não existe uma comprovação direta que ligue Carla Zambelli ao pedido de invasão do CNJ”.
Ainda de acordo com Pagnozzi, logo depois, a defesa pediu a inclusão do ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Eduardo Tagliaferro como testemunha.
“Eduardo Tagliaferro é peça fundamental para ser testemunha nessa audiência. Ele, desde 2022, ali, dito por ele, o gabinete paralelo, onde ele expõe as mensagens que perseguiam vários parlamentares de direita, principalmente a Carla Zambelli, ali demonstra que sim, Carla Zambelli é uma perseguida política, o que, pelas violações aqui nos tratados internacionais, não pode extraditar pessoas que estão sendo perseguidas politicamente”.
Pagnozzi conclui dizendo que a defesa conseguirá, dentro de três dias, a troca dos juízes que analisam o pedido de extradição.
Zambelli está presa em Roma desde 29 de julho. Quando foi detida, ela estava foragida após a condenação no caso do CNJ. A Advocacia-Geral da União (AGU) informou, no último dia 22 de outubro, que o Ministério Público da Itália emitiu parecer favorável à extradição da congressista brasileira.
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Comentários (1)
Fabio
20.01.2026 21:05Deixa essa pilantra cumprindo pena lá, aqui vai ter muita mamata.