TSE não encontra fake news investigadas no “Exército do Lula”, mas vê riscos
Relatório cita mais de 3 milhões de inscritos, mobilização coordenada e dificuldade para reconstruir o histórico do canal
A área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não encontrou, entre 2 e 11 de outubro, publicações no canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, que reproduzissem as afirmações investigadas pela Corte.
O relatório, porém, apontou uma estrutura de mobilização centralizada e sincronizada, com elevado alcance potencial e capacidade de amplificação de conteúdos às vésperas do segundo turno.
A Informação Técnica nº 001/2026, da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, registra que o canal chegou a cerca de 3,3 milhões de seguidores e que algumas publicações acumulavam 344 mil, 79 mil e 40 mil encaminhamentos. A unidade também identificou orientações com horário marcado, “missões” para os seguidores e comandos para impulsionar conteúdos em outras plataformas.
O relatório foi elaborado no âmbito de um pedido apresentado por Flávio Bolsonaro à Presidência do TSE contra o canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). No processo, a campanha questionou a estrutura de distribuição de conteúdos do canal e pediu providências como a suspensão da ferramenta e a preservação de dados.
O caso passou a tramitar como Petição Cível nº 0602791-73.2026.6.00.0000, sob análise do presidente da Corte, Kassio Nunes Marques.
Foi nesse procedimento que Nunes Marques determinou que a área técnica verificasse se os conteúdos questionados continuavam circulando, se havia atuação coordenada para disseminá-los e quais riscos a estrutura poderia representar para a integridade do processo eleitoral.
“A análise restringiu-se a conteúdos de acesso público. Não foram examinadas mensagens privadas nem dados de identificação de seguidores. Esta Assessoria não emite juízo sobre a veracidade de afirmações políticas, matéria reservada às vias jurisdicionais”, diz o documento.
“Os conteúdos examinados nos autos compreendem, essencialmente, afirmações segundo as quais o requerente pretenderia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, estaria envolvido com milícia, reduziria aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada ou teria mandado cancelar o reajuste do Bolsa Família, distribuídas no canal entre 10 e 28 de setembro de 2026”, pontua.
“No período examinado (2 a 11 de outubro de 2026), não foram localizadas publicações que reproduzam essas afirmações. A verificação considerou os textos das publicações, as pré visualizações de links e os áudios transcritos, sem abranger a transcrição do conteúdo integral dos vídeos vinculados e dos demais áudios. As publicações de setembro referidas nos autos situam-se fora desse período”.
Ainda conforme o documento, porém, “os elementos verificados indicam atuação coordenada, centralizada e sincronizada, voltada a ampliar a circulação e a visibilidade de conteúdos no WhatsApp e em outras plataformas“.
Ele ressalta que “a mesma estrutura de orientações centralizadas permanecia em operação entre 2 e 11 de outubro de 2026, aplicada à mobilização em torno de outros conteúdos”.
Riscos eleitorais
O relatório registra que “os elementos reunidos oferecem subsídios para a avaliação dos riscos à integridade do processo eleitoral”.
Segundo o documento, em conjunto, os fatores indicam “elevada audiência potencial, volumes expressivos de encaminhamento em publicações isoladas e possibilidade de propagação acelerada de conteúdos“.
Entretanto, não permitem presumir a exposição efetiva, nem estimar o alcance das publicações ou o intervalo de sua propagação.
“Esses dados, bem como as visualizações por atualização, o histórico de mensagens apagadas e editadas e a identificação das contas administradoras, em princípio estariam sob a guarda do provedor”, acrescenta.
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Comentários (1)
ALEXANDRE ISOLA
12.10.2026 14:09Nao seria mais honesto colocar un titulo como: “Apos encontrar mensagens apagadas, nada pôde ser concluido” ?