Um “termômetro” de votos do Senado sobre a indicação de Messias ao STF
Plataforma criada pelo deputado Gustavo Gayer mostra quem apoia, rejeita ou ainda não decidiu sobre a escolha de Lula
O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), líder da Minoria na Câmara, colocou no ar o site que monitora o posicionamento de cada senador sobre a indicação do atual advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), ampliando a pressão política sobre a votação no Senado.
Batizada de “Votos Senadores”, a plataforma organiza os dados por estado e região e classifica os parlamentares em três grupos, favoráveis, contrários e indecisos, permitindo que o eleitor identifique rapidamente como seu representante tende a votar na sabatina do indicado do presidente Lula. A iniciativa foi impulsionada nas redes sociais pelo próprio Gayer, que resumiu o lançamento em tom de campanha: “Tá feito! Placar do senado para a indicação do Messias de Lula para o STF”.
Na página principal, o site exibe uma imagem de Lula abraçando Messias, acompanhada da chamada “Conheça a posição do seu senador pela indicação de Jorge Messias ao STF”. A proposta é tirar a votação do circuito restrito de Brasília e levá-la ao acompanhamento direto do público.
Gayer também resgata episódios que marcaram a trajetória de Messias. Em publicações e vídeos, ele relembra o apelido “Bessias”, associado ao indicado após a divulgação, em 2016, de um diálogo entre Dilma Rousseff e Lula, no auge da Lava Jato. Na conversa, a então presidente mencionava o envio de um documento por meio de “Bessias”, referência que acabou colando na imagem pública do atual chefe da AGU.
Segundo o placar divulgado, já há resistência declarada no Senado. Entre os votos contrários listados estão Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Rogério Marinho (PL-RN), Carlos Portinho (PL-RJ) e Cleitinho (Republicanos-MG), todos alinhados à oposição.
No grupo dos indecisos, aparecem nomes com peso político relevante e capacidade de influenciar o desfecho da votação, como Carlos Viana (Podemos-MG), Rodrigo Pacheco (PSD-MG), Sérgio Moro (União-PR) e Tereza Cristina (PP-MS). Já entre os favoráveis, o site aponta, entre outros, o apoio de Ciro Nogueira (PP-PI), aliado do governo no Congresso.
Entenda
Jorge Messias encaminhou na última quarta-feira, 1º de abril, ao Senado Federal, a documentação exigida para a análise de sua indicação ao STF. No texto, ele afirma preencher os requisitos constitucionais para o cargo e defende o respeito à separação entre os Poderes como princípio fundamental da função.
A carta integra a mensagem presidencial enviada pelo presidente Lula e segue o modelo protocolar das indicações ao Supremo. Messias declara possuir “notório saber jurídico e reputação ilibada”, como determina a Constituição Federal, e também afirma não incorrer em hipóteses de nepotismo e estar em dia com suas obrigações legais.
Leia mais: Em carta ao Senado, Messias defende equilíbrio entre os Poderes
No documento, o indicado expõe sua visão sobre o papel da Corte e os critérios que pretende adotar na função: “Acredito firmemente que o fortalecimento das instituições, o respeito às leis e o diálogo entre os Poderes são os pilares da democracia e da harmonia institucional. Tenho absoluta consciência de que o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal exige distanciamento institucional, serenidade decisória e respeito absoluto à separação dos Poderes”.
Messias também inclui entre seus valores a fé evangélica: “Meu compromisso, se aprovado por esta Casa, é o de exercer a jurisdição constitucional com independência, imparcialidade e fidelidade à Constituição e observância à Lei Orgânica da Magistratura Nacional, guiado pelos valores que me formam: a fé, a família, o trabalho, a ética no serviço público, a justiça e o amor ao Brasil”, afirma na carta.
Ao descrever sua trajetória, o advogado-geral menciona passagens pelo Executivo e a chefia da AGU, apresentando sua atuação como voltada à “defesa do Estado e das instituições”. Entre suas produções técnicas, constam trabalhos sobre a participação de entidades religiosas na formulação de políticas públicas.
Leis também: “Mais um petista fiel no Supremo”, diz Novo sobre Messias
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Annie
06.04.2026 11:21Moro indeciso vai entender .