Exposição de funk em SP é encerrada após denúncias ao MP
Curadora da mostra acusa Museu de Língua Portuguesa de ceder a críticas de parlamentares conservadores
A exposição “Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade”, instalada no Museu da Língua Portuguesa, na capital paulista, foi encerrada no dia 31 de maio — meses antes do prazo originalmente divulgado, que se estendia até agosto.
A curadora Renata Prado atribui o encerramento precoce a pressões exercidas por parlamentares ligados à direita, enquanto a instituição sustenta que a decisão seguiu o calendário habitual de trocas de mostras temporárias.
A versão da curadora
Em texto publicado nas redes sociais, Prado afirmou que o museu acompanhava as críticas políticas antes de comunicar o encerramento. “Posteriormente, soube que o assunto havia sido levado ao conselho da instituição. Pouco depois, fui informada de que a exposição seria encerrada antecipadamente”, escreveu.
Para ela, o desfecho configura um ato de censura: “O encerramento antecipado da exposição, após a pressão pública exercida por agentes políticos da extrema direita, configurava um ato de censura”.
A mostra, composta por 473 obras — entre pinturas, registros fotográficos e produções audiovisuais —, foi criada originalmente pelo Museu de Arte do Rio, o MAR, onde circulou em 2023. Chegou ao Museu da Língua Portuguesa no ano passado, com o objetivo de situar o funk como movimento cultural e mapear suas raízes.
As denúncias e a resposta do museu
O debate em torno da exposição ganhou contornos institucionais no mês passado, quando o deputado estadual Tenente Coimbra (PL) formalizou uma denúncia ao Ministério Público de São Paulo.
O parlamentar alegou que a mostra faria apologia ao tráfico de drogas e exibiria jovens em situações de natureza sexual. Ainda assim, em vídeo divulgado publicamente, afirmou: “Não queremos criminalizar a arte ou a cultura, nem estamos evocando censura, mas não é razoável o Museu da Língua Portuguesa, um equipamento do estado, acolher esse tipo de mostra”.
O vereador Lucas Pavanaro (PL-SP) e o pré-candidato a deputado Felipe Sertanejo, do mesmo partido, também encaminharam denúncias ao MP paulista.
De acordo com informações do Museu da Língua Portuguesa, a exposição permaneceu aberta por seis meses — período descrito pela instituição como o tempo médio de exibição de suas mostras temporárias.
O museu informou ainda que o encerramento foi motivado pela necessidade de preparar duas novas exposições, sem mencionar qualquer relação com as pressões externas.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Fabio
04.06.2026 14:07A real é que esse funk está cooptado pelo crime organizado. Não só apologia, mas lavagem de dinehiro de facçoes.