Nobel da Paz de 2026 vai para jurista sul-africana Navi Pillay
Ex-juíza do TPI foi reconhecida “esforços para promover a paz e o direito internacional”; Trump e Israel reagem
O Prêmio Nobel da Paz de 2026 foi concedido à jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, de 85 anos, em anúncio feito pelo comitê norueguês nesta sexta-feira, 9.
Descendente de indianos, ela integrou o Tribunal Penal Internacional (TPI) e comandou o Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos. O comitê justificou a escolha pelos “esforços para promover a paz e o direito internacional”.
Reação da laureada
Pillay estava em Nuremberg, na Alemanha, para uma conferência anual de direitos humanos, e por isso não atendeu à ligação do comitê.
Quando a notícia chegou ao evento, os colegas que a cercavam aplaudiram de pé. Ela dedicou o prêmio aos “sobreviventes de crimes internacionais” e pediu que líderes mundiais respeitem as instituições jurídicas internacionais.
Em tom de brincadeira, a jurista comentou o apoio recebido: “Se vocês aplaudirem mais, pode ser que eu divida esse prêmio com [Donald] Trump”.
Justificativa do comitê
Na avaliação do órgão, Pillay “responsabilizou Estados e líderes nacionais por suas ações, levou esperança às vítimas de violência e conflitos e demonstrou uma sólida bússola moral ao longo de sua extensa carreira”.
O comitê também descreveu um cenário de pressão sobre o sistema jurídico global. “Estamos vendo uma mudança em direção à política de poder, em detrimento dos marcos jurídicos e do respeito global pelo direito e pela justiça”, afirmou.
O grupo acrescentou que o direito internacional “é uma necessidade absoluta” em um período marcado por mais guerras e conflitos do que o mundo observa há muito tempo.
Comissão sobre Gaza
No ano passado, uma comissão da ONU presidida por Pillay investigou a guerra na Faixa de Gaza, o ataque de 7 de Outubro e a resposta militar de Israel em Gaza e na Cisjordânia ocupada. O relatório atribui crimes de guerra a Israel e ao Hamas.
O documento conclui ainda que Israel cometeu genocídio com o objetivo de “destruir os palestinos” do território e responsabiliza autoridades de alto escalão, entre elas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, por incitação.
Israel, que não cooperou com a apuração, classificou as acusações como falsas. Após o anúncio do prêmio, o governo israelense afirmou que a escolha legitima o “ódio anti-Israel”.
Segundo a agência AFP, o comitê norueguês declarou não tomar posição sobre a classificação da campanha militar em Gaza como genocídio. Organizações internacionais, por sua vez, comemoraram a decisão.
Pressão sobre o TPI
Pillay atuou por oito anos no TPI, alvo de pressão do presidente americano, Donald Trump. A ofensiva inclui sanções a juízes e se intensificou depois que a corte expediu, no ano passado, mandados de prisão contra Netanyahu. Horas depois do anúncio do Nobel, Trump divulgou novas sanções contra o tribunal.
A vice-promotora do TPI, Nazhat Shameem Khan, condenou a medida e afirmou que ela não interromperá os trabalhos da corte.
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Comentários (1)
Não é merecedora!!!!!!!!