Por que as mulheres são mais dispostas a propor o divórcio?

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Por que as mulheres são mais dispostas a propor o divórcio?

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 05.06.2025 18:35 comentários
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Por que as mulheres são mais dispostas a propor o divórcio?

Décadas de pesquisa sociológica e psicológica confirmam um padrão consistente: mulheres são significativamente mais propensas a tomar a iniciativa

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 05.06.2025 18:35 comentários 1
Por que as mulheres são mais dispostas a propor o divórcio?

Embora o fim de um casamento acarrete desafios para ambos os cônjuges, a relutância masculina em dar o primeiro passo rumo à separação intriga especialistas.

Segundo o psicólogo americano Mark Travers, essa diferença se deve a uma complexa interação de fatores, incluindo laços familiares, receios sobre o futuro e condicionamentos sociais que moldam a expressão emocional e a busca por apoio.

A complexa relação masculina com o casamento e a solteirice

Estudos indicam que homens frequentemente derivam mais benefícios do casamento do que mulheres, reportando maior desejo pela instituição e colhendo vantagens notáveis em termos de saúde, perspectivas de carreira e até expectativa de vida.

Em contraste, a solteirice parece favorecer mais o bem-estar emocional e físico das mulheres do que de seus pares masculinos.

Pesquisas apontam que mulheres solteiras demonstram níveis mais elevados de satisfação com seu status de relacionamento e com a vida em geral, além de menor desejo por um parceiro, ao contrário dos homens, cuja dependência do casamento é frequentemente tão profunda que os torna menos inclinados a iniciar o divórcio, mesmo em uniões insatisfatórias.

Essa dependência emocional do casamento como uma âncora primária para a segurança se entrelaça com outros motivos, que dificultam a decisão masculina de deixar a união. Um fator visto como primordial, mas bastante questionável, seria o senso de responsabilidade para com os filhos.

Muitos homens relatam que deixar o casamento seria uma falha para a família, priorizando o dever sobre a satisfação pessoal, mesmo que a relação conjugal não seja mais gratificante.

Um estudo de 2021, publicado no Journal of Social Welfare and Family Law, explorando a noção de “lar” entre pais separados, revelou que, apesar dos esforços em criar ambientes de apoio, eles frequentemente lidavam com a sensação de perda ou insegurança, percebendo que os filhos identificavam a casa da mãe como o “lar real”. A casa sem a presença dos filhos podia parecer vazia, reforçando o sentimento de invisibilidade.

Outro obstáculo significativo é o medo da perda de estabilidade. O divórcio introduz incertezas financeiras, solidão e a desestruturação das rotinas conhecidas. A perspectiva de recomeçar é assustadora, exacerbada pelo que a pesquisa descreve como falácia do custo afundado – a relutância em abandonar um investimento de longo prazo na relação.

Embora algumas pesquisas (Aging & Mental Health, 2024) mostrem que divorciados mais velhos experimentam simultaneamente liberdade e solidão, as trajetórias pós-divórcio diferem por gênero. Um levantamento de 2018 na Sociological Inquiry observou que homens são mais propensos a buscar um novo casamento, reiterando sua dependência da união para cuidado e companhia, enquanto mulheres demonstram maior relutância, possivelmente temendo o aumento de responsabilidades de cuidado.

O impacto da supressão emocional e da falta de apoio

A relutância masculina em buscar o divórcio também está ligada a condicionamentos sociais. Muitos homens não são incentivados a expressar vulnerabilidade ou sequer a identificar insatisfação emocional, o que pode levá-los a normalizar o descontentamento como uma parte inevitável da vida.

Um artigo de 2015 no Journal of Social and Personal Relationships sugere que a supressão emocional masculina prejudica a satisfação conjugal, resultando em desconexão para ambos os parceiros ao longo do tempo. Essa dinâmica pode gerar uma sensação de aprisionamento, onde o homem, apesar de infeliz, tem dificuldade em sair por não expressar suas necessidades ou por temer as consequências, especialmente em contextos tradicionais onde o divórcio pode ser visto como fraqueza.

Finalmente, a falta de sistemas de apoio robustos agrava a situação. Embora homens relatem ter mais amizades do mesmo sexo, essas relações frequentemente carecem de intimidade e abertura emocional. Fatores como a pressão social pela competição, o medo de serem percebidos como fracos, o desconforto com a vulnerabilidade e a homofobia são barreiras para a conexão emocional profunda entre homens.

Sem espaços seguros para se abrir, muitos homens podem concluir que permanecer em uma relação disfuncional é preferível ao isolamento que uma separação poderia trazer. A decisão de ficar raramente se resume a um único fator, mas sim a um emaranhado de supressão emocional, medo da solidão, expectativas culturais e a ausência de redes de apoio sólidas.

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Comentários (1)

RENATO CESAR REZEMINI

06.06.2025 06:58

porque normalmente, são elas que insistem em Casar, e depois quando veem a realidade do dia a dia e que o cara não vai mudar mesmo, resolvem terminar.....


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