Deflação no Brasil, alta nos EUA: o que muda para os juros
Dado do IBGE reforça corte de juros no Brasil, CPI dos EUA deixa dúvida sobre decisão do Fed na próxima semana
Na mesma sexta-feira, Brasil e Estados Unidos publicaram a inflação de agosto, e os números puxam os dois bancos centrais para lados opostos, a poucos dias das decisões de juros.
Enquanto o IPCA veio negativo e reforça o ambiente para um novo corte da Selic, o CPI americano acelerou no núcleo e deixa o Federal Reserve entre manter a taxa e cogitar um aperto pontual.
O IPCA recuou 0,32% em agosto, primeira deflação mensal desde agosto de 2025, segundo o IBGE. O resultado veio abaixo da mediana das projeções de mercado, concentrada entre −0,28% e −0,29%, e sucedeu a alta de 0,07% registrada em julho.
No mesmo dia, o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI) avançou 0,4% em agosto, acelerando frente ao 0,1% de julho e em linha com o consenso, segundo o Departamento do Trabalho americano.
No Brasil, a queda foi puxada pela habitação, que recuou 1,87% por causa da retração de 7,63% na energia elétrica residencial, efeito do bônus da Itaipu Binacional nas contas de luz, um alívio relevante, mas que não se repetirá na mesma magnitude em setembro.
Transportes caiu 0,86%, com recuo nos combustíveis e nas passagens aéreas. Alimentação e bebidas encadearam o terceiro mês seguido de queda, com recuo de 0,34%. Em sentido contrário, despesas pessoais subiram 1,30%, maior alta entre os grupos, impulsionada sobretudo pelo cigarro.
Em 12 meses, a inflação brasileira desacelerou de 4,44% para 4,22% e permaneceu abaixo do teto de 4,50% do intervalo de tolerância da meta. Só que boa parte da deflação mensal veio de item administrado e pontual. Sem a energia elétrica, o índice teria ficado praticamente estável, conforme o IBGE.
Nos Estados Unidos, o núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, subiu 0,3% no mês, acima da expectativa de 0,2% e da alta de 0,2% em julho.
Em 12 meses, esse núcleo desacelerou de 2,5% para 2,4%. A gasolina avançou 3,9% e respondeu por mais de um terço da inflação cheia. O índice de abrigo, que inclui aluguéis, subiu 0,3%, com forte contribuição da hospedagem fora de casa.
O relatório americano chega poucos dias antes da reunião do Federal Reserve, marcada para 15 e 16 de setembro, e se soma a um mercado de trabalho que criou 162 mil vagas em agosto, com desemprego estável em 4,1%.
No Brasil, a deflação e a desaceleração em 12 meses reforçam a expectativa de corte de 25 pontos-base da taxa de juros (Selic) na reunião do Copom, também na semana que vem, embora o caráter temporário da queda da luz limite a leitura de desinflação permanente.
Nos Estados Unidos, a aceleração do núcleo fortalece o argumento pela manutenção dos juros, ou mesmo por um ajuste pontual de alta, mesmo com o índice cheio em linha com as projeções e a taxa anual do núcleo ainda em trajetória de queda.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Annie
11.09.2026 10:51Eu não acredito nesse índice tudo muito caro.