Mercados sentem o efeito das ameaças de Trump
Discurso agressivo de Trump sobre tarifas e Groenlândia provoca reação europeia e mexe com a abertura dos mercados
A relação entre os Estados Unidos e a Europa entrou em uma fase de conflito que já produz efeitos reais nos mercados, além dos campos da diplomacia e no debate político.
O novo movimento partiu, como sempre, do presidente Donald Trump, ao ameaçar impor tarifas adicionais a produtos europeus, gesto que voltou a colocar o comércio internacional no centro da agenda e ampliou a percepção de risco entre investidores.
Os contratos futuros do Dow Jones, um dos principais índices da bolsa americana, reagiram imediatamente, com queda, mostrando a preocupação com o impacto sobre as cadeias de produção e o consumo.
A sinalização de tarifas foi apresentada como resposta a discordâncias políticas e comerciais envolvendo a Groenlândia. Essa retórica agressiva, mesmo antes de se tornar qualquer medida concreta, já mexe expectativas e pressiona ativos financeiros.
Na Europa, governos passaram a discutir opções de resposta a Trump. O bloco avalia desde negociações diretas até mecanismos de defesa comercial já previstos em sua legislação.
O presidente Emmanuel Macron mencionou a possibilidade de acionar um instrumento raro, apelidado de bazuca comercial, que permitiria retaliações que poderiam chegar a quase 100 bilhões de dólares, em caso de medidas consideradas abusivas.
A simples menção a esse recurso aumentou o grau de alerta em Bruxelas e nas capitais europeias.
O episódio da Groenlândia adiciona um componente político delicado. O tema passou a envolver não só a Dinamarca e os Estados Unidos, mas também o Reino Unido, Alemanha, França, os países nórdicos e outros aliados.
O primeiro-ministro britânico Keir Starmer e da Itália, Giorgia Meloni, defenderam o diálogo e a cautela, temendo que as disputas comerciais entre parceiros históricos produzam custos econômicos e políticos difíceis de reverter.
Em Davos, Trump voltou a associar comércio, segurança e influência internacional em um mesmo pacote, discurso que encontra resistência crescente do outro lado do Atlântico.
A Europa hoje se mostra mais disposta a responder de forma coordenada do que em episódios anteriores, ainda que exista um esforço de evitar uma escalada que prejudique suas empresas, empregos e consumidores.
O que fica evidente e com consequências econômicas cada vez mais latentes é que os Estados Unidos sob Trump, estão deixando de ser um parceiro comercial, político e até militar confiável.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Clayton de Souza Pontes
19.01.2026 10:14O padrão errático do Trump vai deixar marcas. A indústria bélica agradece