O que muda com o acordo UE-Mercosul

04.03.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista

O que muda com o acordo UE-Mercosul

avatar
José Inácio Pilar
4 minutos de leitura 14.01.2026 10:30 comentários
Análise

O que muda com o acordo UE-Mercosul

Automóveis, alimentos e remédios podem mudar de preço com o acordo do Mercosul com a União Europeia, entenda o que deve mudar

avatar
José Inácio Pilar
4 minutos de leitura 14.01.2026 10:30 comentários 1
O que muda com o acordo UE-Mercosul
Fonte: Reprodução

A conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia traz a pergunta: o que, na prática, muda, quando muda e para quem muda, aqui no Brasil, quando o acordo finalmente valer?

Se o texto final for assinado e ratificado, os efeitos não serão imediatos nem homogêneos. O próprio desenho do tratado prevê uma transição longa, com etapas que se estendem por até 15 anos, justamente para diluir impactos e trazer previsibilidade a produtores e consumidores.

A primeira mudança vem na redução gradual de tarifas de importação. Segundo os termos divulgados pelos governos, cerca de 90% do comércio entre os dois blocos terá tarifas eliminadas ao longo de um período de adaptação.

Alguns cortes começam logo após a entrada em vigor, enquanto outros ficam para fases posteriores, dependendo do produto e do grau de sensibilidade de cada setor.

Para o consumidor brasileiro, os efeitos mais perceptíveis tendem a aparecer nos bens industriais vindos da Europa.

Automóveis, autopeças, máquinas, medicamentos e produtos químicos terão redução progressiva de impostos. Roupas, calçados e cosméticos também entram no acordo, o que pode ampliar a oferta e segurar reajustes ao longo do tempo.

Eletrodomésticos, equipamentos eletrônicos e ferramentas também passam a ter impostos menores em fases posteriores, o que afeta preços de reposição e manutenção.

No setor de serviços, o tratado facilita investimentos e parcerias, com impacto indireto em telecomunicações, logística e transporte, áreas que influenciam custos repassados ao consumidor.

Até as viagens podem ser afetadas, já que companhias aéreas e operadores ganham um ambiente mais previsível para rotas e acordos comerciais.

Isso não significa que os preços vão cair de uma hora para outra, mas abre espaço para maior concorrência e, ao longo dos anos, pressão para valores mais baixos.

Vinhos, queijos e azeites também entram no cronograma de cortes, com salvaguardas para proteger produtores locais nos primeiros anos.

Do lado das exportações, o acordo com a União Europeia facilita a entrada de produtos do Mercosul no velho continente. Nossas carnes, açúcar, etanol, café e suco de laranja passam a contar com cotas maiores ou tarifas reduzidas.

No caso da carne bovina, por exemplo, a ampliação é gradual e limitada, o que evita uma enxurrada de produtos, mas garante acesso estável e previsível a um mercado de alto poder de compra.

Outro ponto que afeta o dia a dia está nas regras sanitárias e técnicas. O acordo busca harmonizar padrões e simplificar certificações, o que reduz custos para empresas e tende a refletir no preço final. Isso vale tanto para alimentos quanto para bens manufaturados.

Os prazos longos mostram que o impacto será mais acumulativo do que imediato. O acordo com a União Europeia não muda preços de um mês para o outro, mas redefine o ambiente comercial ao longo de uma década.

Para o consumidor, o ganho virá em variedade e concorrência. Para empresas, em acesso e planejamento. Para a economia, em integração gradual a cadeias internacionais de comércio.

Mas tudo isso só depois da aprovação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais dos quatro países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) ao acordo, que deverá ser assinado pelas lideranças dos dois blocos no dia 17 – algo longe de ser um fato consumado, dada a forte oposição de setores agrícolas e grupos políticos europeus

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Carf livra Lulinha de multa de R$ 326 mil junto à Receita Federal

Visualizar notícia
2

Gilmar Mendes cometeu fraude processual, diz Vieira

Visualizar notícia
3

Realtime: Lula e Flávio empatam no 2º turno e em rejeição

Visualizar notícia
4

Alckmin não foi ao velório do aiatolá

Visualizar notícia
5

Crusoé: Israel destrói prédio onde ocorre escolha de líder supremo do Irã

Visualizar notícia
6

Nikolas se manifesta sobre uso de avião de Vorcaro: “Não sabia quem era o dono”

Visualizar notícia
7

Que os esqueletos Master saiam dos armários

Visualizar notícia
8

“Tarde demais”, diz Trump sobre negociações com o Irã

Visualizar notícia
9

“Crimes se encontram na lavagem de dinheiro”, diz Alessandro Vieira sobre ministros do STF

Visualizar notícia
10

Crusoé: Presidente da Embratur protesta contra demissão no Flamengo

Visualizar notícia
1

Gilmar Mendes cometeu fraude processual, diz Vieira

Visualizar notícia
2

Carf livra Lulinha de multa de R$ 326 mil junto à Receita Federal

Visualizar notícia
3

PEC da Segurança: PT pede retirada de referendo sobre redução da maioridade

Visualizar notícia
4

Lula e Flávio empatam até em rejeição

Visualizar notícia
5

Alcolumbre mantém quebra de sigilo de Lulinha

Visualizar notícia
6

O "drone de remédio" de Lula

Visualizar notícia
7

Alcolumbre autoriza quebra de sigilo de Lulinha

Visualizar notícia
8

Paulo Guedes vem aí?

Visualizar notícia
9

Filho de Khamenei é o favorito na disputa pela liderança do Irã

Visualizar notícia
10

França mobiliza porta-aviões contra fechamento do Estreito de Ormuz

Visualizar notícia
1

Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 04/03/2026

Visualizar notícia
2

Nikolas Ferreira usou avião de Vorcaro

Visualizar notícia
3

“Parece que é crime no Brasil ser branco”, diz vereadora de Niterói

Visualizar notícia
4

Lula e Flávio empatam até em rejeição

Visualizar notícia
5

Itamaraty pede que brasileiros deixem o Líbano

Visualizar notícia
6

Inteligência artificial vai virar arma

Visualizar notícia
7

Alcolumbre autoriza quebra de sigilo de Lulinha

Visualizar notícia
8

Filho de Khamenei é o favorito na disputa pela liderança do Irã

Visualizar notícia
9

Israel lança nova onda de ataques contra os sistema de defesa aérea do Irã

Visualizar notícia
10

Crusoé: Como o Mossad usou câmeras de Teerã para rastrear Khamenei

Visualizar notícia

Tags relacionadas

acordo comercial acordo Mercosul - UE economia
< Notícia Anterior

Nota sobre Irã revela caráter "admirador" de ditaduras do governo Lula, diz Mourão

14.01.2026 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

Você nunca mais vai olhar para o açúcar da mesma forma

14.01.2026 00:00 4 minutos de leitura
avatar

José Inácio Pilar

Âncora do telejornal diário "Meio Dia em Brasília", também roteiriza e apresenta o programa de entretenimento "Café Antagonista" todos os sábados às 10h e às 16h, além de assinar colunas de automobilismo e de entretenimento.

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (1)

ISABELLE ALÉSSIO

14.01.2026 14:58

👀👏🏻🏆


Torne-se um assinante para comentar

Icone casa

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.