CONMEBOL pede à FIFA detalhes sobre venda de ações da Copa
Entidade sul-americana evita se posicionar contra proposta que prevê transferência da gestão de competições para a iniciativa privada
A Conmebol, entidade que reúne 10 seleções filiadas, divulgou uma nota oficial nesta sexta-feira, 31, informando que pediu à FIFA “esclarecimentos adicionais” sobre a proposta de transferir as ações e participações da Copa do Mundo para investidores privados.
“Entendemos que o desenvolvimento do futebol exige decisões comerciais e financeiras. No entanto, essas decisões devem sempre servir ao esporte e nunca se sobrepor à sua essência“, disse a organização em um comunicado.
E prossegue:
“Após tomar conhecimento da proposta apresentada pela FIFA em relação ao projeto FFE, e em conformidade com seus procedimentos institucionais, a CONMEBOL iniciou um processo de consulta junto às suas Associações Membro e convocou uma reunião de seu Conselho com o único propósito de analisar e avaliar a referida proposta com a responsabilidade e o rigor que o assunto exige. Com esse objetivo, a CONMEBOL solicitou à FIFA informações e esclarecimentos adicionais sobre diversos aspectos relacionados ao escopo, estrutura, governança e possíveis efeitos do projeto FFE.
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Boicote da UEFA
A UEFA, entidade que reúne 55 federações nacionais da Europa, anunciou na quinta-feira, 30, um boicote às competições da FIFA contra a proposta anunciada.
No comunicado, a entidade afirmou que “a Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento”.
“É um dos maiores legados desportivos do futebol. Foi construído ao longo de várias gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve, jamais, ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda”, diz a entidade.
Segundo a UEFA, “é simultaneamente irresponsável e indefensável que uma proposta de tal importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à beira da aprovação sem qualquer consulta significativa com aqueles a quem foi confiada a gestão do esporte”.
“Isto não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma renúncia ao dever da FIFA enquanto guardiã do futebol mundial”, critica a entidade europeia, acrescentando:
“As federações nacionais de todo o mundo enfrentam agora um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições de futebol ou arcar com as consequências. Não se trata de uma ‘decisão democrática’, mas sim de uma governação baseada na intimidação — um acto de coacção indigno de uma instituição a quem foi confiada a gestão do futebol mundial.”
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