FIFA abandona venda de direitos da Copa do Mundo
Segundo o New York Post, entidade recuou após revolta de federações e crise interna provocada pelo plano de US$ 20 bilhões
A Fifa desistiu de vender parte de seus negócios comerciais a investidores externos, projeto que previa arrecadar US$ 20 bilhões com a criação de uma subsidiária para administrar a Copa do Mundo e outros torneios.
Segundo o New York Post, a decisão foi tomada nesta sexta-feira, 31, depois de a proposta gerar boicote anunciado pela Uefa e provocar racha entre dirigentes do próprio organismo. O recuo ocorre menos de duas semanas após a conquista do título mundial pela seleção espanhola.
Proposta gerou reação imediata
O plano havia sido apresentado na última terça-feira, 28, e prometia criar a FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões destinada a administrar a Copa do Mundo e demais competições da entidade. A União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) reagiu de imediato, acusando a Fifa de colocar a “alma” do esporte à venda.
Na quinta-feira, 30, as 55 federações filiadas à Uefa votaram, por unanimidade, a favor de um boicote a todos os torneios organizados pela Fifa caso a proposta seguisse adiante. O fundo Thrive Eternal, gerido pela Thrive Capital, empresa fundada por Joshua Kushner, era apontado como o principal candidato a liderar o grupo de investidores interessados na operação.
Crise interna acelerou recuo
A resistência não ficou restrita ao ambiente externo. Carlos Cordeiro, assessor sênior do presidente da Fifa, Gianni Infantino, renunciou ao cargo nesta sexta-feira em protesto contra o projeto. Já Kevin Lamour, diretor de operações da entidade, afirmou que a equipe interna foi “enganada” por Infantino, classificando a proposta como um “projeto de uma pessoa só”.
Diante da repercussão negativa, a Fifa chegou a divulgar nota afirmando que “ninguém está vendendo o futebol”, argumentando que o acordo havia sido descrito de forma equivocada pela imprensa. Ainda assim, a entidade optou por interromper o avanço da criação da subsidiária.
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