“Não se meta com os paraguaios, nós já mandamos o Ronaldinho para a cadeia”
Senadora paraguaia se recusa a pedir desculpas a Mbappé por ofensas racistas
A senadora paraguaia Celeste Amarilla se recusou a pedir desculpas ao atacante Kylian Mbappé, da seleção francesa, pelas ofensas feitas após a derrota da seleção do Paraguai para a França nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026.
Amarilla afirmou que suas declarações foram feitas “de cabeça quente”, mas alertou o jogador para que não voltasse a subestimar os paraguaios e lembrou o episódio da prisão do ex-jogador brasileiro Ronaldinho Gaúcho, em 2020, no Paraguai.
“Não se meta com os paraguaios, Mbappé. Nós já mandamos o Ronaldinho para a cadeia“, disse a parlamentar.
“Mbappé não me pediu desculpas, então não tenho por que pedir desculpas a ele”, acrescentou.
Carta aberta
A senadora já havia publicado uma longa e confusa carta para rebater a resposta de Mbappé. Na mensagem, Amarilla diz que seus posts ofensivos “estavam repletos de sangue fervendo, esse sangue misto, uma bela mistura de sangue indígena com sangue espanhol que corre em minhas veias” e alega ter se arrependido de tratar o francês “com os mesmos insultos que recebo, porque eu também sou desprezada por ser mestiça e latina; somos chamadas de sujas”.
Mas a parlamentar confunde o momento em que Mbappé reclamou do “jogo sujo” dos paraguaios, dizendo que o comentário foi feito antes da partida, e não depois.
“Não somos bobos; entendemos perfeitamente que a sujeira era da seleção paraguaia e que todos nós fazemos parte da seleção paraguaia. Depois, você disse que iriam remover a maquiagem. Nós também entendemos isso, que você fica tão elegante com maquiagem, e nós, pobres e rudes como somos, nem sabemos o que é. Todo o Paraguai ficou em silêncio, eu inclusive. Aceitamos numa boa”, comenta Amarilla na carta aberta, numa análise maliciosa sobre as palavras de Mbappé.
“Durante a partida, seu comportamento arrogante foi evidente, seu desprezo por cada jogador, como se fossem repugnantes, e sem nem cobrir a boca, quando disse ‘la concha de tu madre’, uma expressão extremamente agressiva na América Latina, e você sabe disso”, reclamou a senadora.
“Violência de gênero”
“Agora, exijo que você também retire sua declaração e me peça desculpas. Eu também não tolerarei sua violência. Você não me conhece, não tem ideia de quem eu sou e não tem o direito de me chamar de mulher desprezível, indigna do cargo que ocupo”, cobrou a parlamentar, finalizando:
“Quem você pensa que é para me chamar de indigna ou desprezível quando nem sequer me conhece?! Violência pura e simples! Violência política contra uma mulher que chegou onde está com o voto popular do seu povo. Você me despreza por causa do meu gênero; você me ofende porque sou mulher. Você não está atacando a cor da minha pele, minhas preferências, minha condição de mulher ou minha posição política. Retire sua declaração, honre sua cidadania francesa e peça desculpas, caso contrário, poderei tomar medidas legais por violência de gênero.”
Macron parabeniza Mbappé
Na segunda, 6, o presidente da França, Emmanuel Macron, parabenizou o jogador pela resposta à senadora paraguaia, que disse o seguinte sobre o craque da França, entre outras ofensas:
“Esse bruto nem aprendeu a escrever. Em vez de leite materno, mamou em cocos, e os seres mais instruídos que ouviu foram chimpanzés.”
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