Toda destituição de síndico avisa antes
Para quem lê a ata, ela é previsível com seis a dezoito meses de antecedência
O Sindicolab tem acesso a milhares de atas de assembleias e iniciamos um estudo único. Análise comportamental do que acontece no momento decisório em um condomínio.
A destituição de síndico parece sempre súbita para quem está de fora. Mas para quem lê a ata, ela é previsível com seis a dezoito meses de antecedência. E o sinal aparece em palavras.
Comparei centenas de casos. Antes de toda destituição, as atas começam a registrar o mesmo vocabulário. Não é coincidência. É padrão.
As frases que se repetem são essas: “ausência de cotações”, “pagamentos sem nota fiscal”, “obras realizadas sem aprovação do conselho”, “decisões tomadas sem consulta”, “falta de transparência na prestação de contas”, “não respondeu aos e-mails do conselho”, “documentação não foi disponibilizada com antecedência”.
Essas palavras são o termômetro. Quando começam a aparecer pontualmente, ainda dá tempo de corrigir. Quando se acumulam por dois, três, quatro meses seguidos, a queda já está em curso. Falta apenas o estopim.
O ponto não é dramatizar. É treinar o olho. Síndico raramente cai por um único erro grave. Cai pela acumulação silenciosa de pequenas opacidades. Cada uma é pequena demais para gerar reação. Todas juntas, suficientes para gerar destituição.
A boa notícia é que o caminho contrário também funciona. O síndico que entrega cotações antes mesmo de pedirem, que anexa nota fiscal a cada pagamento, que comunica antes de decidir, raramente cai. Não porque agrade a todos. Porque não dá munição.
Olhe a ata da última assembleia do seu prédio. Procure pelo vocabulário acima. Se encontrar mais de duas dessas frases, vale uma conversa franca com a gestão. Antes que vire pauta de assembleia extraordinária.
Por Rafael Bernardes, especialista em gestão condominial e fundador do Sindicolab
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