Alimentação pode influenciar o humor? Entenda o que a ciência já sabe
Nutricionista explica o que os estudos apontam sobre a relação entre dieta, intestino e aspectos ligados ao humor e ao bem-estar emocional
Em meio ao interesse crescente por hábitos associados à longevidade, a busca por uma vida mais saudável ganhou espaço nas redes sociais, no entretenimento e na rotina das pessoas. Mas, além de contribuir para a saúde do organismo, será que aquilo que colocamos no prato também pode influenciar a maneira como nos sentimos?
Segundo Adriana Kachani, nutricionista parceira da A Tal Castanha, a alimentação pode, sim, ter relação com a maneira como nos sentimos.
“Uma dieta variada, rica em alimentos in natura e cheia de compostos bioativos, favorece a saúde intestinal e fornece nutrientes importantes e de boa qualidade para o cérebro. A ciência também mostra uma associação entre padrões alimentares saudáveis e menor risco de sintomas de depressão e ansiedade”, explica.
Um exemplo desse estilo de vida está nas chamadas Zonas Azuis, regiões conhecidas pela presença de populações que chegam a idades avançadas com boa qualidade de vida. A série documental Como Viver até os 100: Os Segredos das Zonas Azuis, da Netflix, mostra comunidades como Okinawa, no Japão, Icária, na Grécia, e Nicoya, na Costa Rica, destacando aspectos como alimentação, movimento, propósito e relações sociais.
Alimentação diversificada é essencial
Entre os padrões alimentares mais estudados, está a dieta mediterrânea, baseada no consumo de frutas, verduras, legumes, grãos integrais, azeite, castanhas e peixes, com menor presença de ultraprocessados. Para a especialista, porém, mais importante do que um alimento isolado é o conjunto da alimentação.
“Vários nutrientes são importantes na saúde mental, mas sozinhos não conseguem performar. Eles precisam de outros nutrientes para serem absorvidos, aproveitados, e, quando estão na base alimentar, os nutrientes têm muito mais força. Também dependem de uma microbiota saudável para serem absorvidos. Se alimentar adequadamente, de forma variada, é sim fundamental para a saúde mental, mas não suficiente. São necessários outros itens da medicina do estilo de vida, alguns já citados acima, como sono e atividade física. E quem consegue dormir bem e praticar atividade física se não estiver bem alimentado?”, questiona a nutricionista.

Quando o cansaço chega ao prato
Estresse, cansaço e falta de tempo também podem influenciar as escolhas alimentares. “Quando estamos cansados, estressados ou sem tempo, costumamos buscar soluções fáceis, como alimentos ultraprocessados, fast food e delivery“, afirma Adriana Kachani.
Para facilitar escolhas mais equilibradas, a especialista recomenda ter refeições caseiras congeladas, preparadas por meio do batch cooking, técnica que consiste em cozinhar em maior quantidade, porcionar e congelar para outros momentos da semana. Também vale deixar previamente mapeados restaurantes e pratos mais saudáveis para os dias corridos.
Comer de forma saudável não precisa significar abrir mão do prazer. “Tenho um lema que é ‘Saúde é comer de tudo!’. As pessoas se preocupam tanto com a saúde física que se esquecem que a saúde mental também conta, e muito! Como ser feliz sem os alimentos que gostamos? É por isso que, na pirâmide alimentar para a população brasileira, existe lugar no topo para açúcares e gorduras. Ou seja, se guardarmos esta proporção, podemos sim consumir um alimento ou outro mais indulgente”, diz Adriana Kachani.
A especialista reforça ainda que hábitos como dormir bem, praticar atividade física, beber água, priorizar alimentos in natura, reduzir ultraprocessados e variar as refeições podem contribuir para uma rotina mais equilibrada. “Refeições coloridas são um sinal de que existem muitos compostos bioativas por ali. Em todas elas, ter sempre uma fonte de proteínas, uma de alimentos fonte de energia e mais uma de alimentos ricos em fibra em todas as refeições”.
No fim, a principal lição é que não existe um alimento milagroso para garantir longevidade ou bem-estar emocional. Alimentação, sono, atividade física e outros hábitos de vida funcionam em conjunto, e o prazer de comer também faz parte dessa equação.
Por Rosimere Basilio
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