Cabelo caindo e pele sem viço após o frio? O culpado pode estar no seu prato
Médica explica como a alimentação rica em ultraprocessados pode prejudicar a saúde dos fios e da pele e apresenta dicas para cuidar do organismo de dentro para fora
Basta a temperatura começar a subir para a prateleira do banheiro ganhar reforço: entram em cena o tônico antiqueda, o sérum milagroso e a máscara de hidratação profunda. Mas e se o verdadeiro antídoto para o cabelo ralo e a pele opaca estivesse guardado não no armário do banheiro, mas na porta ao lado — na geladeira?
Com a transição do período frio para os dias mais quentes, o corpo costuma cobrar a fatura dos hábitos alimentares dos meses anteriores. Entre caldos prontos, massas pesadas e a correria que empurra a rotina para os industrializados, o organismo sofre com um verdadeiro apagão nutricional.
Segundo a Dra. Luísa Ortiz Cabrera, médica e professora de pós-graduação em Endocrinologia na Afya Educação Médica de Porto Alegre, o problema é que o estilo de vida contemporâneo normalizou uma dieta em que os ultraprocessados já respondem por cerca de 20% das calorias diárias consumidas pelos brasileiros, segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, e do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens), da USP.
“Quando nos entupimos de calorias vazias e deixamos de lado a comida de verdade, o corpo entra em modo de economia de nutrientes. Ele irriga e protege os órgãos vitais internos e deixa os tecidos periféricos — como o cabelo e a pele — em último plano. É aí que a conta chega no espelho”, alerta a especialista, lembrando que problemas de queda capilar já afetam mais de 40 milhões de pessoas no país, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
Abaixo, a Dra. Luísa Ortiz Cabrera traz quatro dicas de ouro para manter a saúde do cabelo e da pele em dia. Confira!
1. Faça o teste do “rótulo inteligente”
A armadilha dos ultraprocessados está nos ingredientes impronunciáveis. Alimentos de verdade não precisam de rótulo complexo. Alimentos ricos em sódio, conservantes e gorduras trans geram um processo inflamatório sistêmico e silencioso no corpo. Essa inflamação crônica de baixo grau estressa o folículo piloso (o que acelera a queda) e destrói as fibras de colágeno, deixando a pele flácida e sem viço.
2. Atenção aos sinais que a pele dá
Muitas vezes, manchas ou alterações na pele são tratadas apenas com cremes caros, quando na verdade são recados do metabolismo. A endocrinologista aponta que o aparecimento de pequenas lesões ou regiões com aspecto escurecido e aveludado nas dobras (pescoço e axilas) costuma indicar resistência à insulina e picos de açúcar no sangue causados por uma dieta rica em carboidratos refinados. Se notar isso, o buraco é mais embaixo: é sinal de que a balança metabólica precisa ser ajustada com acompanhamento médico.

3. Garanta o “trio de ouro” da construção capilar
O cabelo é composto por cerca de 90% de proteína (principalmente a queratina). Se você corta as fontes proteicas ou faz dietas restritivas da moda, o corpo desliga a fábrica de fios. No prato de transição para os dias quentes, priorize proteínas de alto valor biológico (ovos, carnes magras, frango, peixe ou boas combinações de leguminosas como feijão e lentilha), além de gorduras boas (azeite de oliva, castanhas e abacate) que ajudam na lubrificação natural da pele e do couro cabeludo.
4. Não terceirize a hidratação para o creme no cabelo
As pessoas costumam reduzir o consumo de água nos meses mais frios devido às baixas temperaturas, e o hábito muitas vezes persiste na transição de estação. O fio de cabelo desidratado fica quebradiço e a pele perde o viço natural, parecendo “cansada”, mesmo com muita maquiagem. A hidratação de dentro para fora (água, chás naturais sem açúcar e água de coco) é o que transporta os micronutrientes para as células mais distantes da raiz.
Por Grazieli Binkowski
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