Justiça suspende obra do salão de festas de Trump na Casa Branca
Juiz federal determina paralisação do projeto de US$ 400 milhões e exige aprovação do Congresso para retomada das obras
Um juiz federal em Washington decidiu suspender nesta terça-feira, 31, a construção do salão de festas planejado pelo presidente Donald Trump no terreno onde ficava a Ala Leste da Casa Branca.
O magistrado Richard Leon, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Columbia, concedeu liminar favorável ao Fundo Nacional para Preservação Histórica, e determinou que os trabalhos sejam suspensos até que o Congresso autorize expressamente o projeto.
Leon acredita que o Fundo Nacional tenha chances de vencer o processo no mérito, ao considerar que “nenhuma lei chega perto de conferir ao presidente a autoridade que ele afirma ter”.
O que diz a decisão
Na fundamentação, o juiz foi enfático ao delimitar os poderes do chefe do Executivo: “O presidente dos Estados Unidos é o guardião da Casa Branca para as futuras gerações de Primeiras Famílias. Ele não é, no entanto, o dono!”, afirmou Leon.
O magistrado também abriu uma saída ao governo: “O presidente pode a qualquer momento ir ao Congresso para obter autorização expressa para construir um salão de festas e fazê-lo com fundos privados. De fato, o Congresso pode até escolher apropriar fundos para o salão, ou pelo menos decidir que algum outro esquema de financiamento é aceitável”.
A liminar, porém, não entra em vigor de imediato. Leon suspendeu a execução da ordem por 14 dias para que a administração Trump possa recorrer. O juiz alertou que qualquer construção acima do solo realizada nesse intervalo “corre o risco de ser demolida dependendo do resultado do caso”.
O projeto, avaliado em US$ 400 milhões e financiado por doações privadas de empresas como Lockheed Martin, Amazon e Microsoft — todas com contratos ou interesses junto ao governo federal —, prevê um salão de aproximadamente 8.400 metros quadrados no local da antiga Ala Leste, demolida em outubro de 2025.
O processo e o histórico da disputa
A ação judicial foi movida em dezembro de 2025 pelo Fundo Nacional para Preservação Histórica, organização sem fins lucrativos criada pelo próprio Congresso para zelar por edificações de valor histórico. O grupo argumentou que Trump violou leis federais ao iniciar a demolição e as obras sem submeter o projeto às revisões independentes exigidas e sem aprovação legislativa.
No dia 26 de fevereiro, Leon havia rejeitado um primeiro pedido de liminar, por considerar fraca a base legal apresentada na época. O grupo alterou a queixa e voltou a pleitear a medida. Em audiência realizada em 17 de março, o juiz demonstrou ceticismo diante dos argumentos do Departamento de Justiça, referindo-se às justificativas do governo como “teorias e dinâmicas em constante mutação” e qualificando a interpretação da administração sobre as leis aplicáveis de “ousada”.
Leon também questionou o mecanismo de financiamento por doações privadas, descrevendo-o como uma “engenhoca de Rube Goldberg” — referência ao cartunista americano conhecido por suas máquinas excessivamente complexas para tarefas simples.
O Departamento de Justiça deve recorrer da decisão. A administração havia informado que a fase de construção acima do solo teria início em abril de 2026 — prazo que agora fica comprometido. Trump reagiu nas redes sociais, questionando a lógica do processo: “Não faz muito sentido, não é?”
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Otreblig50
31.03.2026 17:38Essa foto do post tá ESPETACULOSA, ABSOLUTAMENTE PERFEITA para a notícia !!! HUAHUAHUAHUAA