Márcio Coimbra na Crusoé: A revolução silenciosa do Paraguai
País parou de se enxergar como uma economia periférica para se posicionar como porto seguro do capital privado na América do Sul
O som do apito final e a explosão de alegria na cobrança do último pênalti contra a tradicionalíssima seleção da Alemanha coroaram uma das campanhas mais heróicas da história recente da Copa do Mundo.
O Paraguai, desacreditado por muitos, mostrou ao planeta que a determinação tática e o pragmatismo estratégico conseguem derrubar gigantes transbordantes de recursos.
Curiosamente, aquela muralha defensiva e a resiliência paraguaia em campo não foram construídas de forma isolada: o time contou com o talento providencial de jogadores “importados” do Brasil que encontraram em solo guarani uma oportunidade de ouro.
Fora das quatro linhas, no tablado real da geopolítica e do desenvolvimento industrial, o Paraguai repete exatamente a mesma jogada ensaiada.
O país vizinho vem operando um milagre econômico silencioso, atraindo um fluxo massivo de cérebros, capitais e fábricas brasileiras que decidiram cruzar a fronteira em busca de um ecossistema mais saudável, estável e livre para prosperar.
Essa transformação ganhou tração inédita com a consolidação do governo de direita liderado por Santiago Peña.
Sob uma firme postura de injeção de liberdade econômica, desregulamentação e desburocratização, o Paraguai parou de se enxergar como uma economia periférica para se posicionar como porto seguro do capital privado na América do Sul.
O segredo dessa ascensão não reside em fórmulas mirabolantes, mas em um compromisso inabalável com a simplicidade e estabilidade das regras do jogo. Enquanto o Brasil patina, o Paraguai oferece ao investidor o famoso modelo “Triplo 10″: uma alíquota fixa e transparente de 10% de Imposto de Renda Empresarial, 10% de Imposto de Renda Pessoal e 10% de IVA.
Um modelo simples e objetivo. Uma lufada de ar fresco para o empresariado, que, aliado à Lei de Maquila, mudou a face industrial do país.
Regulamentado e expandido com horizontes de garantia fiscal de até vinte anos, o regime de maquila permite que indústrias estrangeiras importem componentes globais com imposto suspenso, realizem o processamento físico no país e reexportem o produto final, pagando apenas 1% de tributo sobre o valor agregado em território paraguaio.
O impacto dessa engenharia tributária no balanço contábil é avassalador. Estudos e simulações de custos estruturais apontam que, considerando apenas a menor carga tributária sobre o faturamento e o consumo, um empresário consegue obter um lucro até 150% maior produzindo no Paraguai em comparação ao complexo e oneroso ambiente brasileiro.
Além disso, a aliança estratégica de décadas com Taiwan converteu essa fidelidade geopolítica em investimentos tecnológicos.
Assunção passou a…
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Comentários (1)
Marian
04.07.2026 17:41Em época de Copa do Mundo, posso dizer : show de bola Paraguai! As nossas empresas que estão imigrando também agradecem.