Márcio Coimbra na Crusoé: Rota da Seda nos trópicos
Uma análise crítica do novo documento de política da China para a América Latina
A divulgação do terceiro documento de política da República Popular da China para a América Latina e o Caribe representa mais do que um simples roteiro diplomático, trata-se de um manifesto de poder suave que busca redesenhar a arquitetura de influência global.
Em uma linguagem que evita cuidadosamente a agressividade de confrontos diretos, Pequim propõe uma “comunidade de destino compartilhado” que se apresenta como uma alternativa pragmática e respeitosa às ingerências históricas do Ocidente.
Contudo, sob a superfície de uma cooperação técnica e financeira aparentemente neutra, desenha-se uma estratégia sofisticada para expandir a influência chinesa para além de sua zona de conforto na Ásia, integrando os países latino-americanos a uma órbita econômica e, por extensão, política, que gravita em torno de Pequim.
Nova Rota da Seda
A arquitetura de dependência proposta começa pelo que o documento chama de “Programa de Desenvolvimento“, focado na Nova Rota da Seda.
Embora o discurso oficial enfatize a industrialização e a cooperação conjunta, a realidade dos dados de investimento dos últimos dois anos revela uma tendência distinta e preocupante.
Entre 2024 e o início de 2026, observou-se que, apesar das promessas de diversificação, o capital chinês concentrou-se majoritariamente em setores extrativos estratégicos e na aquisição de infraestruturas críticas já existentes.
Enquanto o documento oficial exalta a “modernização conjunta“, o investimento real na região tem priorizado o controle sobre…
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Comentários (1)
Marian
24.01.2026 10:50Essa nova rota, será desvi@da