O culto a Luigi Mangione: de assassino a ícone da esquerda radical

25.06.2026

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O culto a Luigi Mangione: de assassino a ícone da esquerda radical

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Alexandre Borges
5 minutos de leitura 20.03.2025 06:48 comentários
Mundo

O culto a Luigi Mangione: de assassino a ícone da esquerda radical

Jovem acusado de matar CEO da UnitedHealthcare se torna símbolo de extremistas nos EUA

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Alexandre Borges
5 minutos de leitura 20.03.2025 06:48 comentários 1
O culto a Luigi Mangione: de assassino a ícone da esquerda radical
Foto: Reprodução

Um fenômeno incomum tomou conta de parte da juventude progressista nos Estados Unidos: a transformação de Luigi Mangione, acusado do assassinato covarde do CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson, em um símbolo da luta contra o sistema de saúde privado.

O caso, que chocou os EUA em dezembro de 2024, rapidamente se tornou um ponto de convergência para aqueles que veem as corporações de seguro-saúde como vilãs responsáveis por negar tratamentos essenciais para maximizar lucros.

Segundo reportagem de Olivia Reingold publicada no The Free Press, a comoção em torno de Mangione extrapolou os limites do ativismo digital.

Grupos organizam protestos, arrecadam fundos para sua defesa e criam espaços em redes sociais dedicados a mantê-lo relevante. Em menos de três meses, uma campanha de doações já levantou cerca de US$ 750 mil, com a meta de alcançar US$ 1 milhão até seu aniversário de 27 anos, em maio.

O assassinato ocorreu na madrugada de 4 de dezembro de 2024, em plena calçada de Midtown, Manhattan. Testemunhas relataram que um homem vestindo roupas escuras se aproximou de Thompson e disparou três tiros em suas costas antes de fugir.

A reação inicial da opinião pública foi de horror, mas em poucas horas, um novo sentimento começou a emergir na internet: alívio e até mesmo celebração.

Quando a morte de Thompson foi anunciada na página oficial da UnitedHealthcare no Facebook, mais de 77 mil comentários foram acompanhados de reações de riso. Paralelamente, fóruns no Reddit já organizavam formas de contribuir para um fundo de defesa jurídica do suspeito.

Com a revelação da identidade de Mangione, o fenômeno tomou outra dimensão. Ele era um jovem carismático, semelhante a um ator de Hollywood.

Formado pelo prestigiado colégio Gilman School, em Baltimore, vinha de uma família rica, mas expressava um discurso radical anti-establishment. Para seus seguidores, isso apenas reforçava a ideia de que ele era um “traidor de classe”, alguém que rejeitou o caminho esperado para um herdeiro para desafiar o sistema.

Em redes sociais, foram encontradas evidências de sua leitura do manifesto do Unabomber, além de uma suposta aversão às seguradoras de saúde, que ele chamava de “parasitas” em anotações pessoais.

A polícia ainda revelou que os cartuchos das balas disparadas no crime continham inscrições enigmáticas como “negar”, “adiar” e “despachar”, palavras associadas a táticas de seguradoras para negar tratamentos.

De réu a ícone

O culto a Mangione se manifesta de diversas formas.

Um servidor privado no Discord, que já conta com mais de 1.100 membros, se tornou um espaço para discutir sua defesa e organizar manifestações.

Camisetas, velas e ilustrações com sua imagem são vendidas em sites como Etsy, enquanto vídeos no TikTok o retratam como um mártir. Seus seguidores adotaram a cor verde como símbolo do movimento, uma referência ao personagem Luigi, do jogo Super Mario Bros..

A jornalista Taylor Lorenz, citada pelo The Free Press, explica que a idolatria a Mangione reflete um sentimento mais amplo de revolta contra o sistema. “Ele poderia ter se tornado um desses executivos de seguradoras que ele despreza. Mas, em vez disso, se levantou como um homem do povo”, afirmou.

Pesquisas indicam que esse sentimento não é isolado.

Um levantamento com universitários revelou que 45% dos entrevistados simpatizam mais com Mangione do que com a vítima, enquanto 48% classificam o assassinato como “totalmente ou parcialmente justificável”.

Um novo Baader-Meinhof?

O fenômeno Mangione tem paralelos históricos.

O jornalista Eli Lake, também no The Free Press, comparou sua trajetória à de Ulrike Meinhof, jornalista alemã que, nos anos 1970, abandonou uma carreira de sucesso para se tornar militante da Fração do Exército Vermelho (RAF), grupo terrorista de extrema esquerda.

Assim como Meinhof, Mangione era um jovem educado e privilegiado que, segundo seus seguidores, escolheu “enfrentar o sistem”a em vez de se beneficiar dele.

Meinhof e seus companheiros justificavam atentados e assassinatos como resposta à “opressão capitalista”.

A mesma lógica é adotada por apoiadores de Mangione, que argumentam que seu crime foi um ato de retaliação contra um setor que nega tratamentos médicos para maximizar lucros.

Como apontou Lake, o caso reflete uma radicalização crescente entre jovens que rejeitam tanto a direita quanto o establishment democrata.

O futuro de Mangione

Mangione enfrenta três processos criminais simultâneos – um em Nova York, outro na Pensilvânia e um julgamento federal.

Se condenado, pode ser sentenciado à prisão perpétua ou até mesmo à pena de morte.

Apesar disso, sua popularidade segue em ascensão. Em sua última audiência pré-julgamento, em Manhattan, mais de cem pessoas compareceram para apoiá-lo. O grupo de seguidores já planeja protestos no dia do início do julgamento.

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Alexandre Borges

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Comentários (1)

Marcia Elizabeth Brunetti

20.03.2025 07:28

Quanto faz data uma cinta ou um chinelo opressor na bun… dessa juventude Che Guevera de apartamento.


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