Putin ameaça Kiev e pede saída de diplomatas americanos
Moscou alerta para novos bombardeios à capital da Ucrânia e recomenda evacuação de pessoal estrangeiro
O governo de Vladimir Putin comunicou nesta segunda-feira, 25, que suas forças armadas devem intensificar ataques contra Kiev e pediu que cidadãos estrangeiros, incluindo membros de missões diplomáticas, deixem a capital ucraniana. A recomendação foi transmitida diretamente ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, pelo chanceler russo Sergei Lavrov, em conversa telefônica.
Alerta diplomático e justificativa militar
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, as operações em curso têm como alvo instalações do complexo militar-industrial ucraniano presentes em Kiev, “incluindo locais específicos onde drones são projetados, fabricados, programados e preparados para uso”. O comunicado da chancelaria orienta que moradores e visitantes se mantenham afastados de estruturas ligadas ao que Moscou chama de “regime de Zelensky”.
O alerta foi emitido um dia após um dos ataques aéreos de maior escala desde o início do conflito. De acordo com a Força Aérea ucraniana, foram disparados mais de 600 drones e 90 mísseis entre sábado e domingo, entre eles o Oreshnik — míssil balístico com capacidade para transportar ogivas nucleares, empregado pela terceira vez nesta guerra. O saldo registrado foi de quatro mortos e mais de cem feridos.
A Rússia justificou a ofensiva como resposta a um ataque ucraniano ocorrido na sexta-feira, 23 de maio, contra um dormitório universitário na região de Luhansk, sob ocupação russa, que resultou em 21 mortos e mais de 40 feridos. O Kremlin classificou a ação como “crime de guerra”.
Alvos no centro de Kiev e reação ucraniana
Os bombardeios do fim de semana trouxeram uma mudança no padrão dos ataques: áreas centrais de Kiev, historicamente poupadas, foram atingidas. Entre os locais afetados estão prédios residenciais, uma escola, equipamentos culturais e o museu dedicado ao acidente nuclear de Chernobyl, ocorrido em 1986.
O chanceler ucraniano, Andrii Sybha, classificou os responsáveis pelos ataques como “hordas de bárbaros”.
O presidente Volodymyr Zelensky, por sua vez, listou os danos: “Três mísseis russos atingiram uma estação de tratamento de água, incendiaram um mercado, danificaram dezenas de prédios residenciais e várias escolas comuns”.
Yuliya Lytvynets, funcionária do Museu Nacional de Arte da Ucrânia, também danificado, descreveu a relação dos trabalhadores com o espaço nos primeiros dias da guerra: “Nas primeiras semanas da guerra em grande escala, alguns membros da nossa equipe praticamente moravam dentro do museu. Apesar de tudo o que estava acontecendo lá fora, havia uma sensação de calma aqui dentro. Estávamos protegendo o museu, mas, de certa forma, o museu também estava nos protegendo”.
Negociações paralisadas
A escalada militar ocorre em meio à paralisação das tratativas diplomáticas. Líderes europeus discutem o envio de um mediador para dialogar com Putin, com os nomes da ex-chanceler alemã Angela Merkel e do ex-primeiro-ministro italiano Mario Draghi sendo considerados.
O chanceler alemão Friedrich Merz propôs conceder à Ucrânia o status de “membro associado” da União Europeia — proposta recusada por Zelensky, que defende a adesão plena ao bloco.
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Comentários (1)
Deus proteja os Ucranianos do ditador russo 🙏🙏🙏🙏🙏