Turquia pede prisão de Netanyahu
Governo de Erdogan aciona Interpol contra premiê israelense por ação contra flotilha rumo a Gaza; Israel nega acusações
O Ministério da Justiça da Turquia formalizou nesta sexta-feira, 21, um pedido à Interpol para emissão de alerta vermelho contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
A solicitação, anunciada pelo ministro turco Akin Gurlek, também abrange o israelense Afek Moskovitch e decorre de investigação sobre a interceptação de uma flotilha de ativistas que tentava chegar à Faixa de Gaza.
Acusações e base legal
De acordo com Gurlek, a pasta pediu ao Ministério do Interior que encaminhe à Interpol os pedidos de captura contra os dois israelenses. A medida se apoia em mandados de prisão expedidos pela Justiça turca em 14 de julho de 2026.
Segundo o comunicado do governo turco, as acusações contra Netanyahu e Moskovitch incluem crimes contra a humanidade, genocídio, privação agravada de liberdade, agressão física deliberada, tortura, destruição de propriedade, saque qualificado e sequestro de veículos de transporte. Israel nega integralmente as imputações.
Netanyahu já responde a mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional, em Haia, sob acusação de crimes de guerra e contra a humanidade cometidos em Gaza.
Origem na interceptação da flotilha
O episódio que motivou a ação turca ocorreu em maio, quando as Forças Armadas de Israel abordaram, no Mediterrâneo, a Flotilha Global Sumud. A iniciativa reunia cerca de 50 embarcações e 430 ativistas, entre eles o brasileiro Thiago Ávila, com destino ao território palestino.
Os tripulantes foram detidos e levados a prisões israelenses antes de serem deportados. A operação gerou repúdio internacional, e países como França, Itália e Austrália abriram processos judiciais relacionados ao caso.
Em episódio à parte, o ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, provocou reação após divulgar vídeo em que aparece diante de ativistas ajoelhados e algemados.
Escalada desde 2023
O pedido de alerta internacional se insere em um quadro de deterioração das relações entre Ancara e Tel Aviv desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 e a guerra iniciada em seguida em Gaza.
O presidente Recep Tayyip Erdogan tem se posicionado como um dos críticos mais frequentes de Netanyahu, a quem atribui reiteradamente a prática de genocídio.
Nos últimos anos, a Turquia passou a abrigar lideranças do Hamas e suspendeu o comércio bilateral e os voos diretos com Israel. Um precedente remonta a 2010, quando ação israelense contra embarcações que buscavam romper o bloqueio de Gaza resultou na morte de dez ativistas turcos.
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Comentários (1)
ANDRÉ MIGUEL FEGYVERES
21.08.2026 22:10Israel deve pedir a prisão de Erdogan por alta corrupção e por má gestão do seu governo.