Vaticano anuncia excomunhão de grupo tradicionalista
Punição atinge bispos, padres e fiéis da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) após ordenações não autorizadas pelo papa Leão XIV
O Vaticano determinou nesta quinta-feira, 2, a excomunhão de todos os integrantes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), incluindo bispos, padres e fiéis vinculados ao movimento.
A decisão foi tomada um dia depois de quatro bispos terem sido consagrados sem consentimento do papa Leão XIV, episódio classificado pela Santa Sé como ruptura formal com a Igreja Católica.
A fraternidade reúne cerca de 600 mil seguidores em 50 países, entre eles o Brasil, onde mantém quatro priorados e 21 capelas.
Sacramentos passam a ser inválidos
Com a medida, os ritos realizados pela FSSPX, como casamentos e confissões, deixam de ter validade perante a Igreja Católica. A excomunhão atinge não apenas os bispos responsáveis pela ordenação e os novos consagrados, mas também qualquer fiel que venha a aderir formalmente ao grupo.
De acordo com entendimentos anteriores do Vaticano, essa adesão abrange pessoas que colocam a obediência à fraternidade acima da autoridade papal ou que frequentam exclusivamente as celebrações do movimento.
A cerimônia de ordenação ocorreu na quarta-feira, 1º, em Ecône, na Suíça, e reuniu aproximadamente 15 mil pessoas, entre famílias e crianças vindas de diversos países.
O ato incluiu rituais tradicionais e foi organizado com apoio de um site oficial que divulgava a programação da semana. A adesão numerosa de fiéis sugere respaldo amplo à fraternidade, mesmo diante do risco de confronto com Roma.
O superior-geral da FSSPX, Davide Pagliarani, descreveu a data como um marco na história do grupo: “Estamos rompendo com a Igreja para manter a fé? Este é um falso dilema. Pertencemos à Igreja acima de tudo por meio da fé, pela profissão integral da fé da Igreja”. Antes da cerimônia, o papa Leão enviou uma carta pedindo a suspensão do evento, na qual declarou: “Eu imploro a vocês e peço de todo o coração: por favor, voltem atrás”.
Segundo episódio de ruptura em quase quatro décadas
A excomunhão anunciada nesta semana repete um cenário já registrado em 1988, quando o arcebispo francês Marcel Lefebvre, fundador da fraternidade, e outros quatro bispos foram excomungados pelo papa João Paulo II por motivo semelhante — a consagração de bispos sem aprovação papal.
Lefebvre morreu em 1991, e desde então a FSSPX não havia promovido novas ordenações episcopais até o evento desta semana.
O grupo foi criado em 1970 como reação ao Concílio Vaticano II, encontro que reuniu bispos de diversos países para aprovar mudanças na liturgia católica, entre elas a celebração das missas no idioma local, no lugar do latim, e a alteração da posição do padre durante a cerimônia, voltado para os fiéis. As reformas buscavam maior participação dos católicos nos ritos religiosos.
Para os fundadores da fraternidade, essas mudanças comprometeriam a identidade da doutrina tradicional e o caráter solene da liturgia.
Esse posicionamento consolidou o movimento como uma corrente organizada dentro do catolicismo conservador, hoje presente também no Brasil e mantida à margem da estrutura oficial da Igreja Católica.
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Comentários (1)
Junior
03.07.2026 05:27Grande merd4